Parque Henrique Luis Roessler (Parcão)

 

Parcão
Parcão - Henrique Luiz Roessler, vista aérea.1: acesso pela rua Almiro Lau; 2: Sede administrativa; 3: galpões; 4: área de lazer infantil e canchas; 5: campos de futebol; 6: acesso pela Rua Barão de Santo Ângelo.

 

O Parque Municipal Henrique Luis Roessler, é unidade de conservação municipal criada a partir da Lei Complementar Municipal nº 167/1999, a qual aprovou seu Plano de Manejo. A Lei Federal nº 9.985/2000 inclui unidades de conservação municipais no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. O SNUC visa contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional, bem como a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais.

A Unidade é batizada com o nome de um dos precursores do movimento ecológico no Brasil, Henrique Luís Roessler. Nasceu em 1896, em Porto Alegre. Foi servidor público em São Leopoldo. Atuou no Ministério da Agricultura, como delegado florestal regional. No final de 1954 foi destituído do cargo, sob alegação que serviços não remunerados não eram permitidos no estatuto do servidor público. Logo em seguida, em 1º de janeiro de 1955, fundou a União Protetora da Natureza, a primeira no Brasil. Em 1957, a instituição já contava com 280 sócios. Faleceu em 1963, com um legado na área da preservação ambiental. Em 1983 suas crônicas foram reunidas e deram origem ao livro “O Rio Grande do Sul e a Ecologia – Crônicas escolhidas de um naturalista contemporâneo”.

O Parcão, como é carinhosamente denominado pela comunidade, é o maior espaço de lazer na área urbana de Novo Hamburgo. Hoje o Parcão é responsável por cerca de quase 3m² de área verde por habitante do município, contribuindo, assim, para melhor qualidade da vida da população. O local era remanescente dos lotes divididos em 1825, logo após o início da colonização alemã na região. O Parque tem área de 54,16 hectares. A área era parte das terras do comerciante João Pedro Schmitt, imigrante do estado de Hessen, na Alemanha, em 1857, e considerado um dos fundadores do município de Novo Hamburgo.

Em 1985, tendo a frente o artista plástico Ernesto Frederico Scheffel, já se pensava na manutenção das características históricas da cidade, principalmente de Hamburgo Velho, marco da fundação do Município. Em dezembro de 1985, lideranças comunitárias se reúnem para conhecer o trabalho de conclusão de curso em Arquitetura de Jussara Helena Kley. O trabalho previa a utilização daquela área para a criação de um parque público. No dia 31 de janeiro de 1986 uma comissão denominada Grupo do Parque se reuniu com o então prefeito Atalíbio Foscarini, para a implantação do projeto, começando uma campanha comunitária liderada pelo Projeto “NH como Meta”, com o apoio da União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) de São Leopoldo e Movimento Roessler.

Em outubro de 1986 foi assinado o Decreto Municipal nº 108/86, declarando a área de utilidade pública para fins de desapropriação. Em Abril de 1989, foi promulgada a Lei Municipal nº 12/89, autorizando o Executivo Municipal a instituir a Fundação Pró-Parque de Novo Hamburgo. Em agosto do mesmo ano, o Decreto nº 203/89 instituiu a Fundação Pró-Parque. Em 19/02/90, o então prefeito Paulo Ritzel efetiva a compra (e não desapropriação) da área por NCr$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de cruzeiros novos). No dia 19 de fevereiro de 1990 foi firmado o acordo entre a Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo e a empresa proprietária da área. É assinada a escritura da mesma, sendo considerada esta a data de criação do parque. O nome dado ao parque é homenagem a Roessler. Em 03 de abril de 1990 foi editada a Lei Municipal n° 020/90 denominando o Parcão como Parque Municipal Henrique Luis Roessler.

No ano de 1992 foi instalada no Parcão a infraestrutura básica, que foi denominada de Projeto Embrião. A instalação era constituída de sanitários, praça de brinquedos infantis, jardins, bancos, pista para prática de ginástica, vigilância, entre outros. A população foi incentivada a utilizá-lo como opção de lazer ativo e contemplativo. Em 1º de março de 1999 foi aprovada a Lei Municipal nº 167/99, instituindo o Plano de Manejo do Parque Municipal, dispondo das normas de uso e ocupação do mesmo. A inauguração da sede administrativa e de educação ambiental ocorreu no ano de 2002. Houve uma revitalização do Parque em 2005, com a instalação de novos brinquedos e aparelhos para as trilhas de caminhada.

Em março de 2007 a Prefeitura de Novo Hamburgo recebeu o parecer favorável da Divisão de Unidades de Conservação (DUC) da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul (SEMA). O parecer incluiu a unidade no Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC). O Parque foi enquadrado, por suas características fisionômicas e bióticas, na categoria “Área de Relevante Interesse Ecológico” (ARIE) no Grupo das Unidades de Uso Sustentável, conforme Lei Federal nº 9.985/00. Em setembro do mesmo ano de 2007, foi firmado convênio de cooperação mútua entre a Prefeitura Municipal e o então Centro Universitário FEEVALE, resultando em, pelo menos, nove projetos de pesquisa na área do parque. De acordo com a nova condição jurídica da unidade, conforme a Lei Federal nº 9.985/2000, Artigo 7º, o Parque não é uma unidade de proteção integral, como as reservas biológicas, essas sim de uso extremamente restrito à pesquisa científica e preservação ambiental.

O Parque se encontra em uma zona de tensão ecológica, onde elementos de dois biomas, o Pampa e a Mata Atlântica, podem ser evidenciados, criando assim uma interessante biodiversidade. Cabe destacar a presença de vários grupos animais e vegetais de interesse científico na área, entre elas os parastacídeos (Parastacus spp), dois deles, de acordo com estudos elaborados pelo Departamento de Zoologia da UFRGS, endêmico da região do Parque. Também as dróseras, plantas carnívoras, aparecem no Parque, mesmo em meio a uma área com grande presença de indivíduos jovens de pinheiro.

A prerrogativa do Sistema Nacional de Unidades de Conservação para categoria de Uso Sustentável, na qual o Parque está inserido, estabelece como objetivo para o Parcão, enquanto UC, de manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizar o uso racional e sustentável com os objetivos de conservação da natureza. De fato, como apresenta características dos dois grandes biomas gaúchos, há uma série de potencialidades e fragilidades dentro do sistema ambiental do parque, que demandam cuidados, mas que apresentam certa plasticidade ecológica, mediante os cuidados e o devido zelo para com esse rico patrimônio natural. Está em andamento o Programa de Educação Ambiental (PEA) no Parcão, proposto dentro do escopo do Programa de Desenvolvimento Municipal Integrado (PDMI) de Novo Hamburgo. O Parque está aberto à visitação pública diária. No espaço das trilhas orientadas, se realizam atividades focadas na educação ambiental, entre elas a identificação das espécies vegetais presentes na unidade.

 

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